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Julho

No último minuto.

No minuto em que ensaio mentalmente as palavras “Então até amanhã…”

O chefe diz “Tenho aqui um relatório para resumir até amanhã”

Isso. Chefe. Isso bom chefe. Isso meu cab..ão de me–da.

Portanto o chefe chegou ao meio dia.

Eu cheguei ao romper do sol na madrugada.

O chefe foi almoçar durante 3 horas.

Eu comi uma sandes de couratos na tasca da esquina.

Por acaso hoje foi um panado encarquilhado e frito num óleo onde nadava uma mosca varejeira verde.

Mosca parecida com a chefe.

Pois então um relatório, hum?

Momento ZEN.

Pausa.

Coragem e frase final:

Até amanhã

Silêncio sepulcral.

Sendo que o morto sou eu.

Ganido e latido da hierarquia.

Repito

Até amanhã

E fui.

Embora.

Às vezes a lata compensa.

Oh chefinho, compre um relógio, mano.

É assim que de incompetência em incompetência hei-de chegar a chefe.

Se funcionou uma vez -com o meu chefe - porque não há-de funcionar comigo?

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