Um enfermeiro pode ser despedido por ter escrito uma carta ao Presidente da República.
E Cavaco Silva já fez saber ao governo que acha o caso “inaceitável”.
É que o Presidente gosta de receber cartas e está farto de só receber postais de Manuela Ferreira Leite. Postais que ainda tem selos em escudos, como todos sabemos. Maria Cavaco Silva também não acha graça nenhuma a que estes postais venham selados não com lacre mas sim com batôn rouge daqueles que só as avós octogenárias usam. São aqueles batons vermelhos que pintam os lábios mas principalmente os dentes da frente das próteses da avó.
O pobre enfermeiro fez queixinhas ao Presidente a agora lixou-se. Tem um processo disciplinar para despedimento.
A culpa é da professora primária que o ensinou a escrever. Se ele só soubesse dar injecções jamais tinha escrito a Cavaco Silva. No máximo tentava dar-lhe uma injecção de penicilina daquelas que doem muito a entrar na nádega. Mas até isso poderia ser uma má ideia. Com o “rigor muscularis” de Aníbal, o enfermeiro ainda partia a agulha antes de injectar o conteúdo.
A culpa é igualmente da bastonária da Ordem dos Enfermeiros que insiste em querer licenciar todos estes profissionais e depois quer que eles ganhem tanto como os médicos. Se este enfermeiro fosse bacharel, resumia-se à sua insignificância e pedia ao Senhor Doutor que lhe escrevesse a carta ao Presidente.
Assim quem se lixava era o médico.
Quem está verdadeiramente lixado com tudo isto é o Pai Natal.
Se a moda de abrir processos disciplinares por escrever cartas pega nos jardins de infância lá se vão os milhares de pedidos de presentes de Natal. É que os miúdos não querem arriscar reprovar na pré-escola, embora mais valha ficar no Jardim Infantil do que levar com uma professora como aquela de Espinho.

















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