25
Janeiro

Vulcão

A insinuação da alma. A bela cobertura de um tufo de penugem bem cuidado. O ligeiro, muito ligeiro entreabrir. Os grandes lábios. Juntinhos. Os pequenos lábios, escondidos. O centro da Ostra Sagrada, a pérola divida. Que espero sempre que se mostre e ejacule na minha boca. O sabor salgado. Oh delícia da existência. Oh pipi d´ouro.

Impressões vagas de um espaço sagrado onde só me apetece rezar. Agradecer a entrada. Celebrar a eucaristia do ser humano.

O Vulcão. Quente. Muito quente. Como me queimava o meu ferro já de si em brasa. Como me lubrificou tanto que escorreguei como um cristão-novo. Que fenda louca. Senti sobre a minha cabeça vermelha de sangue os seus sucessivos apertares. A sua ululante pulsão. O descarregar dessa energia de sucção e de raios luminosos do prazer. Senti-me apertado, aquecido, acarinhado, molhado, convidado, esvaído num banho prateado do esperma incontido.

Fui uma garrafa de champanhe agitado até não aguentar mais.

Voltei ao Útero.

Tenho lembranças do teu sabor de ostra.

Sei bem o sal que vertes.

Tenho na boca o sabor da tua pérola.

O sabor do teu gozo. O jorrar do teu liquido do prazer na minha boca aberta para ti. Tomei ali toda a tua essência. Desmaiei de súbita subida ao 7º Céu.

Essa fenda mágica que convidou um dedo. Outro dedo. E mais um. E aconteceu algo soberbo.

Jorrou em cascata os sorvos de liquido húmido e jactante do querer mais.

Descobri em ti pontos mágicos e arrebatei-te ao divino.

Teria entrado de cabeça mas preferi ver os teus olhos.

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